{"id":3353,"date":"2018-11-27T15:14:22","date_gmt":"2018-11-27T14:14:22","guid":{"rendered":"https:\/\/tiagomendonca.pt\/?p=3353"},"modified":"2018-11-27T15:14:22","modified_gmt":"2018-11-27T14:14:22","slug":"trabalhar-4-dias-por-semana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tiagomendonca.pt\/?p=3353","title":{"rendered":"Trabalhar 4 dias por semana"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Faz not\u00edcia hoje que na Nova Zel\u00e2ndia se trabalham 4 dias por semana.<\/strong> Progresso. Mas um atraso enorme. Explico: Come\u00e7a-se s\u00f3 hoje a discutir o problema do <em>work-life balance<\/em>, ou seja, a necessidade imperiosa de reduzirmos um pouco o ritmo de trabalho para podermos alocar esse tempo \u00e0 vida pessoal \u2013 ou seja, satisfazer as nossas necessidades.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>A pir\u00e2mide de Maslow \u00e9 inequ\u00edvoca:<\/strong> Necessidades Fisiol\u00f3gicas na base \u2013 comer, beber, etc. \u2013 depois temos as necessidades de seguran\u00e7a \u2013 ter uma casa onde viver, etc. \u2013 e continuando a trepar a pir\u00e2mide avistamos necessidades sociais \u2013 conviver com pessoas, por exemplo \u2013 necessidades de auto-estima e auto-realiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O nosso modelo de sociedade est\u00e1 unicamente focado nas nossas necessidades de seguran\u00e7a \u2013 casa pr\u00f3pria, poupan\u00e7as e seguirmos um gui\u00e3o que nos \u00e9 recomendado pela sociedade e que n\u00e3o garantindo \u201cmagia\u201d garante pelo menos que nos encaixamos na sociedade \u2013 rela\u00e7\u00e3o monog\u00e2mica, filhos e profiss\u00e3o com estatuto. N\u00e3o interessa se com isso sacrificamos, as necessidades sociais, de auto-estima e de auto-realiza\u00e7\u00e3o, assumindo-se (j\u00e1 l\u00e1 vou) que <strong>as necessidades fisiol\u00f3gicas s\u00e3o intoc\u00e1veis.<\/strong><br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-3361 aligncenter\" src=\"https:\/\/tiagomendonca.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Maslows_hierarchy_of_needs.svg_-300x196.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"196\" srcset=\"https:\/\/tiagomendonca.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Maslows_hierarchy_of_needs.svg_-300x196.png 300w, https:\/\/tiagomendonca.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Maslows_hierarchy_of_needs.svg_.png 320w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><br \/>\n<strong>A verdade \u00e9 que os ritmos de trabalho absolutamente absurdos que hoje se fazem sentir em alguns casos<\/strong> \u2013 conhe\u00e7o pessoalmente exemplos \u2013 <strong>colocam em perigo as necessidades fisiol\u00f3gicas<\/strong>: Malta que se aperta um bocadinho no local de trabalho porque est\u00e1 a acabar um relat\u00f3rio para ontem, pessoas que n\u00e3o dormem pelo menos quatro ciclos (seis horas \u2013 que \u00e9 o limiar m\u00ednimo para nos aguentarmos) pessoas cuja alimenta\u00e7\u00e3o vai sendo conseguida mas atrav\u00e9s de refei\u00e7\u00f5es completamente nefastas para a sa\u00fade. E sim, o sexo \u00e9 uma necessidade fisiol\u00f3gica pelo que tamb\u00e9m deve existir tempo para isso. Caso contr\u00e1rio, al\u00e9m de uma infelicidade extrema por n\u00e3o satisfa\u00e7\u00e3o de uma necessidade fisiol\u00f3gica, a nossa rela\u00e7\u00e3o provavelmente descambar\u00e1 e as necessidades sociais e de auto-estima idem.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nAssim, o come\u00e7armos agora a perceber \u2013 o \u00f3bvio \u2013 de que os ritmos s\u00e3o insanos \u2013 e nos<strong> levam \u00e0 auto-destrui\u00e7\u00e3o<\/strong> (burnout, suic\u00eddios, etc) ou, em casos mais benignos, a uma preteri\u00e7\u00e3o de necessidades b\u00e1sicas \u2013 sejam fisiol\u00f3gicas ou n\u00e3o \u2013 \u00e9 positivo. O ponto est\u00e1 em que o trabalho que \u00e9 feito para assegurar esse reequil\u00edbrio parece que apenas pondera as tais necessidades fisiol\u00f3gicas \u2013 a pessoa ter tempo para comer como deve ser, dormir as horas necess\u00e1rias, etc. Ali\u00e1s, as necessidades sociais \u2013 ter tempo para ir beber uma cerveja com um amigo, ir ao cinema, ler um livro ou ir ver a equipa de futebol que se apoia \u2013 s\u00e3o em alguns casos ridicularizadas. Paras a meio do dia para ler? Que pregui\u00e7oso! Que luxo poderes ir beber uma cerveja \u00e0s cinco com o teu amigo. As pessoas preferem queixar-se daquilo que consideram ser uma inevitabilidade: Passarem-se meses ou anos em que n\u00e3o nos encontramos com os nossos amigos ou n\u00e3o lermos um livro h\u00e1 s\u00e9culos.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>As necessidades de auto-estima e auto-realiza\u00e7\u00e3o<\/strong> s\u00e3o para muitos uma utopia de maluquinhos. O que interessa \u00e9 a carreira est\u00e1vel e segura, a vida segundo o gui\u00e3o imposto pela sociedade, a poupan\u00e7a e o estatuto de se ser um Sr.Dr. <strong>Quem se queixa de n\u00e3o se sentir realizado \u00e9 simplesmente gozado.<\/strong><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nOra este modelo de dividirmos a nossa vida entre tempo de trabalho e vida \u2013 cuja divis\u00e3o em 4 dias de trabalho para 3 de \u201cvida\u201d me parece ser bastante insuficiente \u2013 \u00e9, do meu ponto de vista, arcaico. O que faz sentido, tendo em vista as necessidades que temos \u00e9 uma mistura entre vida e trabalho. <strong>N\u00e3o tem mal no s\u00e1bado de manh\u00e3 chuvoso vamos para o escrit\u00f3rio enviar e-mails<\/strong> e responder a or\u00e7amentos ou agendamos tr\u00eas reuni\u00f5es ao domingo \u00e0 tarde. Mas talvez nos fa\u00e7a sentido u<strong>m per\u00edodo de almo\u00e7o de tr\u00eas horas para podermos estar \u00e0 vontade com um amigo e fazer uma powernap.<\/strong> Talvez nos fa\u00e7a sentido n\u00e3o trabalhar nas sextas \u00e0 tarde, ou \u00e0s ter\u00e7as entrar \u00e0s 11h porque vamos ter aulas de t\u00e9nis. Um dia, para ser bom, deve ser uma mistura de v\u00e1rias coisas.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nNo dia que vos escrevo, acordei um pouco mais tarde, vi as not\u00edcias, tive uma reuni\u00e3o, depois trabalhei uma hora, almocei, tive uma segunda reuni\u00e3o de cerca de uma hora e meia. Parei para vos escrever este texto e a seguir vou trabalhar mais uma hora, hora e meia num grande projeto que vos anuncio em breve. A seguir vou passar num evento de um amigo, irei jantar fora e terminarei com um bom filme. Mas anteontem sa\u00ed do escrit\u00f3rio eram 23h! No s\u00e1bado vim trabalhar, no Domingo trabalhei de manh\u00e3 mas risquei a tarde desde que soube o hor\u00e1rio do mundial. Na Segunda-Feira, a minha m\u00e3e fazia anos, e por isso apenas trabalhei de manh\u00e3.<br \/>\nPodemos discutir se sou ou n\u00e3o um privilegiado. Aceito isso. Sobre ser sortudo isso daria para mais um texto. Mas n\u00e3o interessa o que eu sou. Interessa que todos concordaremos que este \u00e9 o ritmo normal. <strong>Porque raz\u00e3o n\u00e3o haveria de trabalhar no S\u00e1bado e conseguir ter a Segunda para estar com a minha m\u00e3e?<\/strong> Se escrever textos e partilhar ideias convosco satisfaz as minhas necessidades sociais e de auto-realiza\u00e7\u00e3o parece-me que \u00e9 \u00f3bvio que tenho que ter espa\u00e7o no meu dia para isso.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nBom estarmos a discutir o <em>work-life balance<\/em>. Anseio (espero que n\u00e3o 20 ou 30 anos) pela discuss\u00e3o dos \u201chor\u00e1rios de trabalho\u201d serem definidos tamb\u00e9m com base nas nossas necessidades. N\u00e3o \u00e9 pedir muito.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Faz not\u00edcia hoje que na Nova Zel\u00e2ndia se trabalham 4 dias por semana. Progresso. Mas um atraso enorme. 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