{"id":3308,"date":"2018-06-18T13:58:57","date_gmt":"2018-06-18T12:58:57","guid":{"rendered":"https:\/\/tiagomendonca.pt\/?p=3308"},"modified":"2018-06-18T14:00:38","modified_gmt":"2018-06-18T13:00:38","slug":"desculpas-sao-perdedores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tiagomendonca.pt\/?p=3308","title":{"rendered":"Desculpas s\u00e3o para perdedores."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Desculpas s\u00e3o para perdedores.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o existe outra maneira de o dizer: <strong>Muito poucas pessoas t\u00eam a qualidade de assumir os seus erros na medida em que n\u00e3o t\u00eam a capacidade de suportar com o peso do falhan\u00e7o.<\/strong> Existe uma verdadeira conspira\u00e7\u00e3o t\u00e1cita e n\u00e3o intencional que mant\u00e9m as pessoas neste plano de desculpabiliza\u00e7\u00e3o. Muitas dos que nos rodeiam, sem quererem, pensando no nosso bem, acabam por nos manter neste estado de nega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isto \u00e9 negativo por v\u00e1rios motivos: Em primeiro lugar <strong>as pessoas ficam a viver numa realidade virtual paralela<\/strong> completamente distante, \u00e9 certo, dos problemas mas, ao mesmo tempo, completamente distante das solu\u00e7\u00f5es e, inerentemente do sucesso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em segundo lugar porque<strong> falhar \u00e9 \u00f3timo<\/strong>! Como dizia o grande Mandela: <strong>\u201cOu ganho ou aprendo\u201d<\/strong>. A derrota \u00e9 uma excelente aprendizagem (pr\u00e1tica!) para preparar grandes vit\u00f3rias. Podemos ler mil livros ou ir a quinhentos semin\u00e1rios que nada \u00e9 t\u00e3o valioso como a nossa experi\u00eancia pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por \u00faltimo porque <strong>as desculpas s\u00e3o absolutamente desgastantes.<\/strong> A verdade \u00e9 que ningu\u00e9m tem muita paci\u00eancia para nos ouvir desculpar. Isso retira imensa energia e n\u00e3o \u00e9 nada produtivo. N\u00e3o se ganha nada numa conversa em que uma pessoa passa o tempo a dizer que a culpa n\u00e3o \u00e9 sua. \u00c9 que se for, realmente, esse o caso, e, de facto, o fator que proporcionou determinado falhan\u00e7o for completamente ex\u00f3geno ent\u00e3o \u00e9 uma pura perda de tempo sequer pensar nisso pois estaremos a canalizar energias para algo que n\u00e3o podemos controlar ao inv\u00e9s de as aplicarmos naquilo que depende de n\u00f3s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Existem, quanto a mim, quatro grandes tipos de desculpas:<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1. Sorte\/Azar. Talvez a mais t\u00edpica<\/strong>. N\u00e3o tive sorte. Eu sabia todas as perguntas que fizeram aos meus colegas antes de eu ser chamado mas as minhas eram muito mais dif\u00edceis. Eu sabia tudo mas naquele dia fiquei com uma dor de barriga, que azar! Fomos eliminados porque nos calhou o advers\u00e1rio mais dif\u00edcil de todos! Enfim, claro que a sorte \u2013 ou os des\u00edgnios divinos para quem como eu \u00e9 crente \u2013 existe. A tal \u201cestrelinha\u201d. Existem dias em que tudo parecer correr mal e outras fases em que tudo parece correr de fei\u00e7\u00e3o. Mas que diabo! Mas existe muito al\u00e9m ou aqu\u00e9m da sorte. Talento trabalho, perseveran\u00e7a. Boas decis\u00f5es, pragmatismo, reconhecimento de erros. Portugal ter\u00e1 tido imensa sorte na forma como ganhou o Euro2016, mas, ent\u00e3o e n\u00e3o existiu compet\u00eancia? Entreajuda? Uni\u00e3o? Talento? Evidentemente que sim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2. Incapacidade Pr\u00f3pria: \u201cEu n\u00e3o sou capaz\u201d, \u201cEu n\u00e3o sou suficientemente bom\u201d,<\/strong> \u201cSe isso fosse poss\u00edvel algu\u00e9m j\u00e1 o tinha conseguido\u201d, \u201cEstas coisas s\u00f3 acontecem aos outros\u201d, \u201cN\u00e3o sou inteligente\u201d, etc. Boa parte do coaching de hoje tem sido apontado a estes problemas. Despertar capacidades \u201cescondidas\u201d, fazer acreditar em potencialidades existentes. O problema \u00e9 que se exagerou. Do Ama-te ao \u00e9s capaz de tudo. Um exagero e uma mentira \u201cpiedosa\u201d que tem os mesmos efeitos que j\u00e1 convers\u00e1mos: Preserva\u00e7\u00e3o numa realidade paralela. N\u00e3o somos todos capazes de tudo. Eu teria muit\u00edssimas dificuldades em ser jogador de Basket. Eu nunca serei fant\u00e1stico a falar ingl\u00eas. Eu nunca farei um desenho fant\u00e1stico. Eu n\u00e3o tenho jeito nenhum para pioneirismo. Talvez n\u00e3o seja grande ideia passar-me o conceito de que que se eu quiser posso ser jogador de NBA. Talvez a probabilidade de isso vir a acontecer seja muito inferior a ganhar o Euromilh\u00f5es. N\u00e3o tem problema de sermos pragm\u00e1ticos e simplesmente afirmar: N\u00e3o, isso n\u00e3o \u00e9 para ti. Mas isto sim. Foca-te nisso, e nisso podes ser dos melhores. E existem coisas em que sou realmente bom: Tenho uma boa orat\u00f3ria, sou muito bom a fazer planos, tenho uma capacidade de trabalho elevada, sou criativo e tenho jeito para vendas. Vamos pegar nisso e tentar despertar todas as potencialidades criando uma boa oferta de valor. Mas depois somos estranhos: Se eu referir: Sou muito bom em orat\u00f3ria, a rea\u00e7\u00e3o quase sempre \u00e9: Olha este convencido! Est\u00fapido! Que arrogante! Olha este com a mania! Numa ideia: Quando algu\u00e9m assume que n\u00e3o \u00e9 bom em algo, perdemos horas a convencer essa pessoa do contr\u00e1rio. Quando a pessoa pragmaticamente assume que \u00e9 boa em algo perdemos horas a convencer a pessoa que n\u00e3o \u00e9. Estranho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3. Uma terceira desculpa frequente \u00e9 mais abstrata: A culpa \u00e9 do governo, dos impostos, do mercado, da crise.<\/strong> O governo, os ciclos econ\u00f3micos ou os impostos s\u00e3o simplesmente realidades h\u00e9tero definidas. E afectam todas as pessoas de uma maneira id\u00eantica. Estamos, em Portugal, a terminar uma fase c\u00edclica ascendente. Suponho que em 2019, m\u00e1ximo, 2020, vai existir uma pequena crise de intensidade menor que aquela que pass\u00e1mos anteriormente e teremos depois alguns anos recessivos at\u00e9 se voltar a inverter o ciclo. \u00c9 assim desde que h\u00e1 registos, ou seja, desde o s\u00e9culo XIX. A Economia \u00e9 c\u00edclica e os ciclos curtos t\u00eam uma dura\u00e7\u00e3o de 7 a 11 anos onde se contam fases de ascens\u00e3o crise e recess\u00e3o. J\u00e1 sabemos que vai existir. Prepara\u00e7\u00e3o dessa fase \u00e9 o que depende de n\u00f3s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4. A quarta desculpa \u00e9 a mais comum: Os outros. A culpa \u00e9 do \u00e1rbitro, do professor,<\/strong> do amigo, da namorada que optou por ir viver com o Carl\u00e3o. Nas notas acad\u00e9micas \u00e9 o p\u00e3o nosso de cada dia: O Professor n\u00e3o gosta de mim! O Professor n\u00e3o vai com a minha cara! Com outro professor teria passado! N\u00e3o beneficiamos nada com esse tipo de discurso. Al\u00e9m de muito provavelmente ser uma mentira pegada, mesmo que n\u00e3o seja, dizermos isso n\u00e3o leva a lado nenhum. <strong>O ponto \u00e9: Como podemos ultrapassar essa dificuldade?<\/strong> Nas rela\u00e7\u00f5es amorosas, idem: Seis meses a chorar porque a namorada preferiu mudar-se para a casa do ex-melhor amigo \u00e9 s\u00f3 est\u00fapido. O \u201cmercado do amor\u201d \u00e9 fortemente concorrencial e n\u00e3o existe nenhuma raz\u00e3o para pensarmos que no ciclo de uma vida n\u00e3o podemos ser batidos pela concorr\u00eancia. Faz parte. Mais: Essa troca, quase sempre, tem como contributo atitudes nossas. Se pensarmos no que fizemos mal e no que podemos melhorar da pr\u00f3xima vez vai correr melhor. Conversas de amigos como \u201cela \u00e9 uma cabra\u201d, \u201cela n\u00e3o te merece\u201d, \u201cele anda com todas\u201d, \u201carranjas um tipo melhor com certeza\u201d s\u00e3o absolutamente in\u00fateis e contraproducentes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-3309\" src=\"https:\/\/tiagomendonca.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/28468380_2492007367690542_2122447656191933199_n-1-300x144.jpg\" alt=\"28468380_2492007367690542_2122447656191933199_n (1)\" width=\"300\" height=\"144\" srcset=\"https:\/\/tiagomendonca.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/28468380_2492007367690542_2122447656191933199_n-1-300x144.jpg 300w, https:\/\/tiagomendonca.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/28468380_2492007367690542_2122447656191933199_n-1-600x288.jpg 600w, https:\/\/tiagomendonca.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/28468380_2492007367690542_2122447656191933199_n-1-768x369.jpg 768w, https:\/\/tiagomendonca.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/28468380_2492007367690542_2122447656191933199_n-1.jpg 870w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Numa ideia:<\/strong> At\u00e9 podemos reparar que a causa pr\u00f3xima do insucesso foi uma ponta de azar ou que cheg\u00e1mos mais r\u00e1pido \u00e0 fal\u00eancia porque o ciclo econ\u00f3mico inverteu. O Chefe pode ter sido injusto ou o Professor incompetente. <strong>Tudo isso s\u00e3o vari\u00e1veis do jogo.<\/strong> Retirando o caso de doen\u00e7as mortais ou muito graves n\u00e3o dependentes de comportamento humano tudo o resto sofre impacto com as nossas atitudes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conversas como: \u00c9s capaz de tudo \/ N\u00e3o \u00e9s capaz de nada ou N\u00e3o te preocupes o Professor \u00e9 que foi injusto \/ O Chefe prefere a Anabela ou ainda Est\u00e3o todos assim, \u00e9 a crise! \/ Quem \u00e9 que se aguenta com impostos t\u00e3o altos? s\u00e3o absolutamente contraproducentes. At\u00e9 podem ser bem intencionadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu percebo que a Maria Francisca n\u00e3o queira ser bruta com a amiga, a Nat\u00e1lia, e lhe prefira dizer: Sim, esse namoro ainda vai dar certo. M\u00e1 amiga. O Jo\u00e3o j\u00e1 lhe p\u00f4s os palitos 53 vezes, est\u00e1 se nas tintas para ela. N\u00e3o, n\u00e3o vai resultar. Pode e deve ser bruta ou agressiva com a amiga. Pragmatismo. <strong>E mais vale cortar imediatamente, fazer uma avalia\u00e7\u00e3o do que se contribuiu para o fim da rela\u00e7\u00e3o, aprender com isso, melhorar, que a pr\u00f3xima corre melhor.<\/strong> Levar a Nat\u00e1lia para um mundo paralelo n\u00e3o \u00e9 mesmo boa ideia. E, Nat\u00e1lia, n\u00e3o a culpa n\u00e3o e s\u00f3 do Jo\u00e3o. Lembras-te daquela m\u00e1 resposta? Lembras-te de quando foste ver o telem\u00f3vel ou o proibiste de ir sair com os amigos, logo ao in\u00edcio? E, Joana, sim o Professor n\u00e3o gosta de ti. Mas sabes porque n\u00e3o gosta? Lembras-te de chegares atrasada? De n\u00e3o cumprires com a tarefa que te foi dada ou daquela apresenta\u00e7\u00e3o horr\u00edvel porque n\u00e3o te esfor\u00e7aste nem um bocadinho?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Desculpas \u2013 Out. Pragmatismo \u2013 In.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desculpas s\u00e3o para perdedores. &nbsp; N\u00e3o existe outra maneira de o dizer: Muito poucas pessoas t\u00eam a qualidade de assumir os seus erros na medida em que n\u00e3o t\u00eam a capacidade de suportar com o peso do falhan\u00e7o. 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