{"id":3073,"date":"2016-11-28T21:47:08","date_gmt":"2016-11-28T21:47:08","guid":{"rendered":"https:\/\/tiagomendonca.pt\/?p=3073"},"modified":"2017-04-28T12:00:33","modified_gmt":"2017-04-28T12:00:33","slug":"lei-de-parkinson-e-a-razao-pela-qual-nos-fazem-improdutivos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tiagomendonca.pt\/?p=3073","title":{"rendered":"Lei de Parkinson e a raz\u00e3o pela qual nos fazem improdutivos!"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\">Cyril Parkinson, um economista ingl\u00eas do s\u00e9culo XX (1909-1993) formulou aquela que viria a ficar conhecida como a Lei de Parkinson:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">\u201cO trabalho aumenta de modo a preencher o tempo dispon\u00edvel para a sua realiza\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Ligado a isto est\u00e1 hoje provado que num trabalho t\u00edpico de escrit\u00f3rio o n\u00famero m\u00e1ximo de horas produtivas s\u00e3o 3 a cada 8. Ou, socorrendo-me novamente a grandes economistas, Vilfredo Pareto enunciou o agora muito citado princ\u00edpio 80\/20 segundo o qual (aplicando-o ao tema que estamos a conversar) 80% das coisas produtivas que fazemos adv\u00e9m de 20% do tempo que gastamos a produzir coisas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Estou a ler um livro \u2013 \u201c4 Horas por Semana\u201d de Tomothy Ferriss \u2013 que muito pertinentemente questiona se seria poss\u00edvel que todas as pessoas do mundo precisassem das mesm\u00edssimas 7\/8 horas de escrit\u00f3rio (o standard 9h-17h \u2013 de quem muita gente tem saudades, pois, no fundo, \u00e9 mais 9h30-20h30) para produzir resultados id\u00eanticos. A resposta \u00e9 obviamente negativa. Cada pessoa tem o seu ritmo, o seu m\u00e9todo, a sua pr\u00f3pria capacidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">O problema \u00e9 que de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o passou-se uma ideia de que o \u201cbom trabalhador\u201d \u00e9 aquele que trabalha muitas horas e, mais recentemente, que o \u201cbom trabalhador\u201d \u00e9 aquele que passa muitas horas no escrit\u00f3rio. Criou-se uma verdadeira ditadura do presencialismo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Enfim, o bom trabalhador ser\u00e1 aquele que anda de gravata mal abotoada, de telefone no ouvido, carregando resmas de papeis de import\u00e2ncia duvidosa e que responde ao e-mail 5 minutos depois. O mau trabalhador ser\u00e1 aquele que em quatro horas faz tudo aquilo que tem de fazer. E deve ser mesmo mau pois sofre um castigo: J\u00e1 acabaste o teu trabalho? Ent\u00e3o fica aqui mais quatro ou cinco horas a ver sites de jornais desportivos ou a descobrir se a gravata do colega \u00e9 lil\u00e1s ou roxo porque sair \u00e0 hora de almo\u00e7o \u00e9 uma loucura.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Esta improdutividade para que nos empurram leva a que fiquemos treinados nisso. Em ser improdutivos. E isso leva a uma das piores caracter\u00edsticas que algu\u00e9m que quer empreender pode ter: Procrastinar. Normalmente amanh\u00e3 \u00e9 demasiado tarde. Se n\u00f3s condescendemos e aceitamos que pode ficar para amanh\u00e3 dificilmente vamos de facto completar essa tarefa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Somos compelidos a entrar num racioc\u00ednio de adequa\u00e7\u00e3o do trabalho que temos ao n\u00famero de horas que nos exigem. E o que fazemos \u00e9 trabalhar, n\u00e3o raras vezes, a um ritmo mais lento e improdutivo do que aquele a que dever\u00edamos produzir. N\u00e3o quer dizer que por vezes o resultado at\u00e9 n\u00e3o fique melhor do que aquele que ficaria com um 1\/10 das horas investidas mas, certamente, n\u00e3o ficar\u00e1 10 vezes melhor pelo que ser\u00e1 sempre eficiente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Acredito de facto, que 80% da qualidade de um trabalho fica resolvida em 20% do tempo. Os outros 20% &#8211; os acrescentos, os pormenores, as notas de rodap\u00e9, a pequena corre\u00e7\u00e3o ortogr\u00e1fica \u2013 leva-nos a perder os demais 80%.<br \/>\nNum escrit\u00f3rio as tarefas de revis\u00e3o \u201cassistida\u201d, as reuni\u00f5es sem interesse nenhum e os preciosismos sem utilidade pr\u00e1tica minam 80% do tempo e nem sequer melhoram os resultados em 20%. Tenho a certeza que o trabalho ficaria melhor sem esses precios\u00edssimos mas com a motiva\u00e7\u00e3o de se permitir ao trabalhador mais horas para se dedicar a outras coisas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Eu pr\u00f3prio tenho uma hist\u00f3ria sobre isso. Em 2011 quando estava a escrever os meus relat\u00f3rios de mestrado, tinha, grosso modu, 11 meses para a escrita de 3 relat\u00f3rios. Economia Pol\u00edtica, Mercados Financeiros e An\u00e1lise Econ\u00f3mica do Direito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">O primeiro levou-me cerca de 6 meses e teve sensivelmente 150 p\u00e1ginas. Um estudo comparativo das crises econ\u00f3micas ao longo dos s\u00e9culos que me levou a concluir sobre a inevitabilidade c\u00edclica da ocorr\u00eancia de crises.<br \/>\nO segundo levou-me cerca de 4 meses: A concentra\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria em Portugal e todos os problemas de concorr\u00eancia a esse n\u00edvel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">O terceiro levou-me apenas um m\u00eas (sem contar com estudos, reflex\u00f5es, semin\u00e1rios). A An\u00e1lise Econ\u00f3mica do Contrato de Maternidade de Substitui\u00e7\u00e3o.<br \/>\nNos primeiros tive tempo para tudo. Ajustei o meu trabalho ao tempo que tinha. No \u00faltimo, tinha que for\u00e7osamente concluir num m\u00eas e, como escreve o autor, conclu\u00ed esse relat\u00f3rio com doses de cafe\u00edna que permitiriam desqualificar uma equipa ol\u00edmpica!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">16 valores no primeiro, 15 no segundo e\u202617 no \u00faltimo! E com o b\u00f3nus de ter sido uma importante \u201csemente\u201d para a disserta\u00e7\u00e3o de mestrado onde obtive 18 valores.<br \/>\nA experi\u00eancia que tenho \u00e9 que no mercado de trabalho \u2013 ou em algumas empresas pelo menos (escrit\u00f3rios de advogados, consultoras, jornais) existem de facto picos onde \u00e9 necess\u00e1rio o trabalhador exceder-se e talvez trabalhar umas boas 14 horas por dia. Mas existem muitos dias em que duas horas era mais do que suficiente ou at\u00e9 n\u00e3o ir. Qual seria a motiva\u00e7\u00e3o de um trabalhador para fazer tr\u00eas noitadas seguidas e trabalhar 50 horas em tr\u00eas dias, se soubesse que, provavelmente a sua semana seguinte seria segunda e ter\u00e7a de gazeta, quarta de manh\u00e3 livre e quinta e sexta com hor\u00e1rios \u201cnormais\u201d? Muito maior! Maior produtividade!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Isto leva-nos a um outro ponto que daria um outro texto. \u00c9 que nos transform\u00e1mos enquanto sociedade para uma cultura do parecer em detrimento do ser. Da apar\u00eancia em detrimento dos resultados.<br \/>\nE \u00e9 por isso que fica bem ficar at\u00e9 \u00e0s 20h no escrit\u00f3rio mesmo que n\u00e3o se tenha produzido absolutamente nada. Mas fica mal sair \u00e0s 17h, quando se produziu seis horas de trabalho fant\u00e1stico. \u00c9 o que temos. Mas n\u00e3o temos de aceitar!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cyril Parkinson, um economista ingl\u00eas do s\u00e9culo XX (1909-1993) formulou aquela que viria a ficar conhecida como a Lei de Parkinson: &nbsp; \u201cO trabalho aumenta de modo a preencher o tempo dispon\u00edvel para a sua realiza\u00e7\u00e3o\u201d. &nbsp; Ligado a isto est\u00e1 hoje provado que num [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3123,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[32],"tags":[39,36,47,45,46,38,48],"class_list":["post-3073","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-empreendedorismo","tag-4-hour-work-week","tag-empreendedorismo","tag-escritorio","tag-lei-de-parkinson","tag-produtividade","tag-tim-ferriss","tag-trabalho"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tiagomendonca.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3073","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tiagomendonca.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tiagomendonca.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tiagomendonca.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tiagomendonca.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3073"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/tiagomendonca.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3073\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3124,"href":"https:\/\/tiagomendonca.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3073\/revisions\/3124"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tiagomendonca.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/3123"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tiagomendonca.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3073"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tiagomendonca.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3073"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tiagomendonca.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3073"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}